O que o silêncio me ensinou
O que o silêncio me ensinou O silêncio costuma ser tratado como ausência. Na pressa do mundo, ele vira sinônimo de falha: falta de resposta, falta de produção, falta de posicionamento. Mas há silêncios que não são vazios. São intervalos de leitura . Durante muito tempo, fiquei em silêncio neste espaço. Não porque não houvesse o que dizer, mas porque o dizer ainda não tinha encontrado a forma justa. E escrever sem forma justa sempre me pareceu um desperdício — não do tempo, mas da experiência. O silêncio ensina, primeiro, a desacelerar o olhar. Ele força a observar aquilo que passa despercebido quando tudo precisa virar opinião imediata. Na sala de aula, no cotidiano, nas leituras e nas conversas, percebi que muitas coisas só se tornam compreensíveis quando deixamos de reagir automaticamente a elas. Ensina também que nem toda elaboração precisa ser pública. Há ideias que precisam circular dentro do corpo antes de se tornarem palavra. Há leituras que reorganizam mais do que ex...